sábado, 30 de outubro de 2010

Relembrando

Estava eu sem nada pra fazer e apagando aqueles e-mails velhos. Aí achei um e-mail que recebi do meu grande amigo Cristian Aguazo ainda em dezembro de 2007. Saudades, que serão mortas em novembro.



Carta a Dom Raoni Antes que Seja Tarde Demais
pois é, Dom,
aqui não há desertos para se atravessar
num Cadillac vermelho conversível,
ouvindo o grito das estrelas
como nesses road movies
de poeira e asfalto.
aqui, meu velho, a solidão
é uma ordem de despejo
que dói primeiro na alma,
como um soco bem dado na cara.
ando fodidamente apaixonado,
bêbado e infeliz, confundido
com essas sombras que vão saindo
de dentro de um blues muito antigo,
roendo a noite, devorando a noite,
essa noite vadia e desabitada
em que quase me desprezo
a ponto de cuspir, com raiva,
no sorriso idiota do outro
que me olha, encarcerado,
no espelho
na verdade, Dom,
anda tudo tão-caos, tão-cão
que, se não fosse essa covardia escrota,
ensaiaria um passo de dança, um vôo-livre
— pássaro de cinco asas —
num copo de vodca e barbitúricos,
no banheiro imundo de um motel perdido,
ouvindo a trepada impossível
do casal do quarto ao lado.
ando fodidamente apaixonado, Dom,
entre um uísque barato
e uma mulher sem nome,
desejo e repulsa, inferno e céu,
e agora, não ria, dei pra achar bacana
até uns boleros de Ravel.
assim, meu velho, quer dizer,
do jeito que vão as coisas sem que eu vá com elas,
melhor estar morto na próxima cena.
e o nome disso, talvez, como saber?,
ainda seja amor.

Márcio Scheel

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sentido.

Tenho me sentido estranho...
Há tanto tempo sem escrever, compor, tocar...
Me perdi e não consigo me encontrar, mesmo sentindo que estou por perto, escondido em alguma gaveta do passado, da memória, da poeira.
Há uma letra do Titãs que expressa isso...
Estou acumulando...



Filantrópico


Filantrópico
Samaritano
Generoso
Tão humano


Acumulando raiva e rancor

Altruísta
Complacente
Caridoso
Tão gente


 Acumulando raiva e rancor

Amando o próximo
Dizendo a verdade
Se arrependendo
Dando a outra face


Acumulando raiva e rancor

sábado, 9 de janeiro de 2010

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.



Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Alguém pode me ajudar com o título?

Vão nos adoçando os anos enquanto passam,
no decorrer do doce a gente cresce,
assiste, envelhece, amadurece.
E não enlouquece pois temos nas mãos outras
que esquentam e soam como vento na janela
e suam enriquecendo o contato
crises, tato, fato.
E acariciam os cabelos que vão ficando brancos,
caindo como promessas não cumpridas,
se perdendo nos pentes,
fronhas, chuveiros, dentes.
E incomodam a boca que guarda o músculo afiado,
e fala palavras que cortam fundo e beija,
hálito, redime, deseja.
A mesma que profere a lâmina, toca os ouvidos
cospe os momentos amargos e degusta o tempo
apreciando o doce dessas mãos,
cabelos, palavras, espinhos,
apresentando a brisa do amor à sensibilidade do rosto,
e que flutua rumo a um final completo.
25/julho/09

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

(Re)Começo.

Nós já tivemos blogs e tudo mais pra divulgar escritos na internet. Mas não fazia nosso tipo esse negócio de computador e escrever sem lápis, caneta e papel. Mas como hoje as horas passam depressa e quando se vê estamos com 40, decidi que era necessário ter escritos publicados na rede. Ficaria até mais fácil para que conhecidos estivessem por dentro do que andamos escrevendo, no que nos transformamos, o que estamos lendo e aprendendo. Portanto, aceite (ou não), disfrute (ou não) e comente (ou não) o que deixaremos aqui. Abraço a todos.